Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, trouxeram a público denúncias sobre a precariedade estrutural e a insuficiência de professores nos cursos de dança e artes cênicas, levantando preocupações sobre a qualidade do ensino e a valorização das artes na instituição.
Falta de estrutura adequada compromete aulas e formação
Segundo relatos dos próprios alunos, as atividades acadêmicas vêm sendo realizadas em espaços improvisados, como o "Paviartes", um galpão que originalmente servia de depósito para o Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW). O curso de Dança, criado há 41 anos, nunca teve um prédio próprio. Obras para a construção de um espaço adequado começaram em 2011, mas foram interrompidas em 2015 após a falência de uma das empresas responsáveis e a identificação de problemas estruturais graves, como a existência de um lençol freático sob a construção e a instalação inadequada de pilastras.
De acordo com Heloisa Graciano, estudante do quinto semestre de Dança, embora o problema do lençol freático tenha sido resolvido em 2022, as obras complementares do teatro seguem inacabadas. Isso impede a ocupação dos espaços planejados para as atividades dos cursos, obrigando alunos e professores a conviver com improvisos que prejudicam o aprendizado e aumentam o risco de lesões, especialmente por falta de pisos adequados para práticas específicas.
Obras paralisadas e orçamento insuficiente agravam situação
O cenário de abandono não se restringe apenas à falta de um prédio próprio. Em 2019, o pavilhão 2, um dos dois barracões que compunham o espaço utilizado pelos cursos, foi demolido com a promessa de construção de um novo edifício. Até o momento, porém, a promessa não foi cumprida, e estudantes relatam que as necessidades mínimas para o funcionamento adequado dos cursos não têm sido atendidas.
Além da infraestrutura deficitária, os alunos denunciam a falta de professores, o que compromete a oferta de disciplinas e a formação integral dos estudantes. O orçamento insuficiente destinado ao Instituto de Artes é apontado como um dos principais entraves para a contratação de profissionais e para a conclusão das obras necessárias.
Reitoria reconhece demandas e promete reforma
Diante das manifestações e das denúncias dos estudantes, a reitoria da Unicamp reconheceu a existência das demandas e anunciou a intenção de iniciar a reforma dos pavilhões do Instituto de Artes ainda no final de junho. No entanto, não foram detalhadas datas específicas para o início ou conclusão das obras, nem informações sobre o cronograma de contratação de novos professores.
A situação dos cursos de dança e artes cênicas da Unicamp reflete um desafio recorrente enfrentado por instituições públicas de ensino superior no Brasil: a dificuldade de garantir infraestrutura adequada e corpo docente suficiente, especialmente em áreas artísticas. A precarização desses cursos pode impactar não apenas a formação dos alunos, mas também a produção cultural e artística no país.
O que está em jogo para estudantes e comunidade acadêmica
A falta de espaços adequados e de professores especializados compromete a qualidade do ensino, limita as possibilidades de pesquisa e extensão e desestimula novos ingressantes. Os estudantes reivindicam não apenas melhores condições para suas atividades, mas também o reconhecimento da importância das artes na formação acadêmica e na sociedade.
Enquanto aguardam respostas concretas da administração universitária, os alunos seguem mobilizados, cobrando ações efetivas para garantir o mínimo necessário à continuidade dos cursos. A expectativa é que a promessa de reforma se concretize e que o orçamento destinado ao setor seja ampliado, permitindo a contratação de profissionais e a conclusão das obras paradas há anos.
Até o momento, a reitoria não apresentou um cronograma detalhado para as melhorias prometidas, e os estudantes seguem atentos aos próximos desdobramentos.
