O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a contar com segurança reforçada nesta semana após assumir a relatoria do chamado caso Master, que investiga irregularidades no Banco Master. A decisão pelo incremento na proteção foi motivada por uma análise interna do tribunal, que identificou aumento de risco à integridade física do ministro diante da repercussão do processo e de situações de risco observadas desde o início do ano.
Segurança reforçada após detecção de ameaças
A mudança no protocolo de segurança adotada pela cúpula do STF, incluindo decisão da Secretaria de Polícia Judicial e aval da presidência do tribunal, resulta na ampliação do número de policiais envolvidos na proteção, maior presença ostensiva dos agentes em compromissos do magistrado e recursos adicionais de prevenção. Segundo assessores e pessoas próximas à corte ouvidos pela reportagem, a equipe de segurança do ministro agora acompanha Mendonça em praticamente todos seus compromissos, inclusive à paisana, inclusive durante as pregações na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, onde ele atua como pastor.
A análise de risco que embasou as medidas foi motivada por ocorrências concretas, reportadas por pessoas ligadas ao STF, mas os detalhes desses episódios não foram revelados na reportagem. Os protocolos de proteção são constantemente revistos conforme evolução do cenário e informações recebidas pela corte.
Caso Master, inquérito do INSS e movimentação no STF
Além do caso Master, Mendonça também conduz outro processo de alta repercussão: o inquérito sobre supostas fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As duas investigações envolvem parlamentares, autoridades com foro no Supremo e provocam impactos diretos no cenário político nacional.
No caso Master, Mendonça determinou, em março deste ano, a segunda prisão preventiva de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e então proprietário do banco, após a Polícia Federal encontrar no celular do investigado mensagens mencionando a existência de uma milícia privada — batizada de "A Turma" — supostamente utilizada para coagir adversários. A prisão foi considerada relevante nos debates do Congresso, especialmente diante das eleições de outubro, por potencial de afetar investigações envolvendo pessoas com atuação no meio político.
Mendonça foi designado relator do caso Master após Dias Toffoli deixar o processo, decisão tomada em reunião dos ministros do STF no início de fevereiro de 2026, depois de reveladas ligações do antigo relator com investigados do banco, segundo a fonte. Mendonça também herdou os processos do INSS, após questionamentos do procurador-geral da República e decisão da presidência do tribunal sobre o sorteio da relatoria.
Procedimentos e contexto do Supremo Tribunal Federal
Com um perfil de discrição e austeridade, o ministro mudou parte dos procedimentos adotados nas investigações, ampliando a autonomia da Polícia Federal, restaurando o fluxo de perícias antes restringido e fragmentando fases do inquérito para evitar vazamentos junto à PF ou advogados das partes investigadas. Todas as medidas são decididas em conjunto pela secretaria de segurança do STF, presidência e gabinete do ministro.
A reportagem destaca que não houve manifestação oficial do STF nem do gabinete de André Mendonça sobre as razões detalhadas das medidas de segurança. Não foram divulgados detalhes sobre eventuais ameaças ou sobre o tipo de equipamento e rotina adicionais adotados.
Como ministro do STF e vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), além de professor universitário e pastor, André Mendonça agora é acompanhado por agentes em todas essas funções. No Supremo, as medidas de segurança dos ministros são ajustadas conforme avaliações periódicas de risco, sem detalhamento público dos critérios utilizados.
A reportagem não informa se outras autoridades envolvidas receberam reforço semelhante ou o impacto direto nas rotinas de julgamento e tramitação dos processos.
