Anfavea prevê que só 4 ou 5 marcas chinesas resistirão no mercado automotivo brasileiro
Em entrevista à reportagem do *Jornal do Carro*, publicada em 11 de junho de 2026, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse que o Brasil deve ficar com apenas “quatro ou cinco” marcas chinesas de automóveis, enquanto o restante “vai morrer pelo caminho”.
O alerta veio após o registro de que mais de 20 marcas chinesas chegaram ao país nos últimos três anos. Para Calvet, a indústria global de automóveis está se concentrando em poucos grupos fortes, porque o desenvolvimento de um novo modelo exige investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões. Esse custo elevado, segundo ele, acelera uma competição “darwinista”, impulsionada também por pressões em novos segmentos como elétricos e híbridos.
Na visão dele, isso tende a gerar consolidação por fusões e aquisições, inclusive na cadeia de fornecedores instalada no Brasil. O dirigente também adverte que, com a entrada agressiva de novas montadoras, as marcas tradicionais já estabelecidas podem enfrentar maior risco. Ele cita como exemplo o que ocorreu na Austrália: após mudanças de política de incentivos, empresas como Ford, Holden (GM) e Toyota encerraram produção local em poucos anos, e hoje 100% dos carros vendidos no país são importados.
O presidente da entidade também relacionou essa disputa ao risco de perda de produção industrial. Com o Brasil ainda sendo um dos maiores mercados e produtores mundiais de veículos, Calvet afirmou que o país não pode abrir mão de estrutura industrial e engenharia local. Se o modelo atual de produção nacional ficar inviável, alertou que a saída de fábricas pode ocorrer “com velocidade assustadora”.
Sobre política pública, a avaliação da Anfavea é de que o atual Programa Mover não seria suficiente para frear o avanço de importados. A entidade defendeu uma política mais robusta, em linha com o antigo Inovar-Auto, e priorizou financiamento barato e subsidiado para a cadeia de autopeças — segmento em que muitas empresas têm estrutura familiar e menos capacidade de investir bilhões em atualizações frequentes.
> A fonte não informa quais seriam, concretamente, as marcas que sobreviveriam nem apresenta dados de impacto econômico adicional além dos trechos acima.
