Banco do Brasil entra no 1T26 ainda sob pressão do agro, com risco de inadimplência ainda elevado
O texto publicado em 13/05/2026 (atualizado às 16h23) destaca que a principal preocupação em torno do 1º trimestre de 2026 (1T26) do Banco do Brasil (BBAS3) continua sendo a saúde do crédito rural.
Segundo o analista Pedro Leduc, do Itaú BBA, ainda não há sinal suficiente de inversão no início de 2026. Ele estima que as provisões para perdas permaneçam em patamar parecido com o 4T25 — “na casa dos R$ 17 bilhões” — em 1T26 e 2T26, com melhora mais provável apenas no segundo semestre. Para Andre Matos, da MA7 Negócios, o 4T25 pode ter sido o pico de deterioração, mas não autoriza concluir que a situação está normalizada: as provisões para créditos de liquidação duvidosa alcançaram R$ 19,036 bilhões, alta de 87% em relação ao ano anterior.
No agronegócio, o texto aponta que a produção e a produtividade da safra seguem em nível saudável, mas o caixa do produtor aparece mais fragilizado, com margens apertadas, queda nos preços de commodities e juros ainda altos. Isso pesa na recuperação dos créditos. O próprio calendário da carteira agro foi citado como risco adicional: os recebimentos se concentram no 2º e 3º trimestres, o que pode levar a novos atrasos e avanço da inadimplência nos próximos meses.
Além do agro, o material também menciona expansão de problemas em pessoas físicas e empresas. Leduc atribui parte disso ao aumento de exposição do BB a carteiras reestruturadas. Gabriel Uarian, da Cultura Capital, observa que a instituição tem tentado migrar para segmentos com melhor retorno e menor risco relativo, como consignado privado e crédito do trabalhador, mas o mercado entende que isso pode só transferir risco de uma carteira para outra.
Nos bastidores do mercado, o JPMorgan reuniu cerca de 35 gestores em São Paulo e no Rio e manteve tom cauteloso com o banco, classificando o BB como principal “underweight” do sistema financeiro brasileiro. A instituição citou incerteza para 2026 e 2027 e risco de nova revisão de projeções, embora não considere provável uma revisão já no 1T26.
A pressão também aparece nos resultados: o ROE veio a 12% no 4T25 e o BB negociava perto de 0,7 vez o valor patrimonial (P/VP), segundo analistas, número associado a um retorno em torno de 10%. Para o Itaú BBA, voltar perto de 1x P/VP depende de recuperação estrutural de rentabilidade. Mesmo com eventual queda de juros, o texto ressalta que o alívio tende a ser gradual por causa das características da carteira rural e das taxas reguladas.
Conclusão do material: o 1T26 é visto mais como teste de transição do que como gatilho imediato de reprecificação, até que haja evidências consistentes de redução da inadimplência e de melhora sustentável da margem.
Observação: o conteúdo não traz anúncio oficial do próprio BB com nova diretriz operacional ou de metas; as informações são baseadas em análises de mercado citadas na matéria.
