A Fluvimar, tradicional fabricante de barcos no Paraná, destaca-se nacionalmente ao adotar processos inovadores voltados à preservação da água, tornando-se exemplo na indústria náutica diante dos desafios impostos pela crise hídrica e mudanças climáticas. A busca por alternativas sustentáveis ganha cada vez mais urgência, especialmente com a previsão de um super El Niño que pode agravar ainda mais o cenário de escassez no país.
Produção inovadora reduz impacto ambiental no setor náutico
O setor industrial paranaense passa a ganhar protagonismo nacional ao ajustar práticas que visam minimizar o impacto ambiental. No caso da Fluvimar, localizada no Paraná, a resposta ao problema se traduziu na implantação de tecnologias inéditas na indústria de barcos. A empresa adotou um novo sistema de pintura para as embarcações, utilizando estufas com avançados sistemas de filtragem. Essa tecnologia impede a dispersão de partículas residuais no ambiente, evitando que componentes químicos comuns em pinturas convencionais impactem ainda mais os cursos d’água.
Paralelamente, a nova estufa de secagem instalada pela Fluvimar trouxe um salto significativo de eficiência: o tempo de produção caiu de 24 horas para cerca de 60 minutos. Esse ganho, além de aumentar a capacidade de entrega, resulta em menor consumo de energia e recursos, favorecendo a sustentabilidade e a competitividade da empresa.
Materiais reaproveitados reforçam compromisso ambiental
Outra prática inovadora foi adotada há mais de duas décadas pela Fluvimar e se consolidou como diferencial: o uso de garrafas PET na estrutura de flutuação dos barcos, em substituição ao isopor. A medida alia sustentabilidade e inovação tecnológica, retirando aproximadamente três toneladas de plástico do meio ambiente a cada ano e tornando o resíduo uma matéria-prima renovável.
A empresa também tomou a decisão técnica de substituir adesivos por pintura nas embarcações. Segundo representantes, os adesivos apresentam maior risco de deterioração, liberando resíduos com o tempo; já a pintura, realizada sob controle rigoroso, oferece maior estabilidade, reduzindo potenciais contaminações ambientais.
Indústria náutica no centro do debate ambiental
A crescente preocupação mundial com a água não se restringe ao abastecimento de reservatórios. Relatórios internacionais, como o Falência Hídrica Global da Universidade das Nações Unidas, destacam que o problema da água agora envolve não só quantidade, mas também qualidade, influenciada por mudanças climáticas e por práticas produtivas intensivas.
Na indústria náutica, chama atenção o uso de tintas anti-incrustantes nos cascos dos barcos, substâncias que, mesmo após restrições regulatórias, seguem liberando metais como cobre e zinco nos ecossistemas aquáticos. Um estudo da Chalmers University of Technology publicado na revista Marine Pollution Bulletin identificou que, mesmo com as regulamentações, esses biocidas continuam sendo uma importante fonte de contaminação de áreas costeiras e portuárias – fato que reforça a necessidade de práticas inovadoras como as da Fluvimar.
Expansão e novos desafios para o setor náutico sustentável
Com mais de 30 anos de atuação, a Fluvimar emprega cerca de 150 colaboradores diretos e produz embarcações de diferentes tamanhos, de pequenos barcos a modelos com capacidade para até 25 pessoas. Em 2026, a expectativa da empresa é ampliar seu parque fabril e buscar novos mercados internacionais. O objetivo será continuar o crescimento sem ampliar a pressão sobre um recurso crítico, a água, atualmente no centro do debate ambiental e de políticas industriais no Brasil e no mundo.
A fonte consultada não detalha a localização exata da fábrica ou onde a ampliação ocorrerá, nem especifica os novos mercados internacionais visados, mas ressalta que adaptar-se às exigências ambientais será definitivo para a indústria náutica e demais setores produtivos.
