Pesquisa Quaest mostra virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro em segmentos estratégicos
A pesquisa Quaest, divulgada em junho de 2026, aponta uma mudança significativa na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, perdeu apoio em setores estratégicos do eleitorado, como evangélicos, jovens, mulheres e moradores do Sudeste. O levantamento destaca o impacto dessas mudanças, especialmente após Lula abrir vantagem de 6 pontos percentuais em um cenário de segundo turno.
Lula avança no Sudeste e entre jovens
Segundo dados obtidos pelo G1, Lula lidera a corrida presidencial com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno. Até março, ambos estavam tecnicamente empatados. A virada aconteceu principalmente no Sudeste, região com os maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo e Minas Gerais. Flávio, que já teve vantagem de 12 pontos, agora está em empate técnico com Lula na região, enquanto o presidente apresenta tendência de alta desde abril.
No Centro-Oeste e Norte, Flávio Bolsonaro perdeu 8 pontos percentuais. Após liderar com 14 pontos de vantagem no mês anterior, agora está apenas 2 pontos à frente de Lula, caracterizando novo empate técnico nessas regiões.
Segmentos estratégicos redefinem disputa
A pesquisa indica que Flávio Bolsonaro perdeu a liderança entre jovens de 16 a 34 anos, faixa em que mantinha vantagem nas últimas três rodadas. Agora, Lula aparece à frente nesse segmento. Entre eleitores de 35 a 59 anos, Lula manteve 44% das intenções de voto, enquanto Flávio caiu de 40% para 38%. Entre os maiores de 60 anos, a diferença diminuiu: Lula passou de 46% para 44% e Flávio de 38% para 37%.
No eleitorado feminino, tradicionalmente mais resistente à família Bolsonaro, Lula ampliou a vantagem após os acontecimentos de maio. Entre os homens, Flávio mantém pequena vantagem, mas dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Outro ponto relevante é a queda de 9 pontos de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. Apesar de ainda liderar nesse grupo, a diferença em relação a Lula caiu de 37 para 21 pontos de maio a junho, indicando perda de força em um segmento estratégico para a direita.
Fatores de renda, escolaridade e contexto político
O levantamento mostra que Flávio Bolsonaro perdeu apoio entre eleitores com renda superior a dois salários mínimos e entre aqueles que cursaram pelo menos o Ensino Médio. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários mínimos, Lula passou à frente. Entre os que ganham mais de 5 salários mínimos, Flávio ainda lidera, mas com vantagem menor.
Em relação à escolaridade, Lula lidera com 7 pontos entre pessoas com Ensino Fundamental e chegou ao empate técnico nas demais faixas. Entre quem cursou o Ensino Superior, a diferença caiu de 15 para 3 pontos, também caracterizando empate técnico.
O cenário político é influenciado por fatos recentes, como a exposição da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro preso Daniel Vorcaro e as medidas dos Estados Unidos, que classificaram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e aumentaram tarifas sobre produtos nacionais. Essas decisões ocorreram após visita de Flávio a Donald Trump e membros do governo americano, o que pode ter influenciado a percepção dos eleitores.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a perda de apoio de Flávio Bolsonaro ocorre principalmente em segmentos que não se identificam necessariamente com Lula, mas que demonstram distanciamento do pré-candidato do PL. Entre eleitores independentes, Lula abriu 13 pontos de vantagem.
A pesquisa não detalha como Flávio Bolsonaro pretende reagir à perda de apoio. O cenário segue dinâmico, e novas pesquisas devem indicar se a tendência de queda se consolida ou se haverá recuperação do pré-candidato.
