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Geração de empregos formais desacelera em abril e acende alerta para o mercado de trabalho em 2026

Com 85.888 vagas formais em abril, abaixo da mediana de projeção, economista da FGV Ibre alerta para a desaceleração do mercado de trabalho em 2026.

Painel com a variação do saldo de empregos formais no Brasil em abril de 2026 e destaque por setor.
Painel com a variação do saldo de empregos formais no Brasil em abril de 2026 e destaque por setor.

Em 28 de maio de 2026, a economista Janaína Feijó, do Ibre da FGV, afirmou que a queda na geração de empregos formais em abril trouxe um sinal de alerta para o desempenho anual do mercado de trabalho brasileiro. Segundo ela, o mês registrou um saldo de 85.888 vagas formais, abaixo da mediana de 215 mil estimativas da base de projeções do Valor Data.

Para a especialista, foi a maior divergência entre projeção e resultado real no ano. O dado também foi o menor de abril desde 2021, após a reformulação metodológica do Caged em 2020, e o pior em termos nominais desde 2017. Ou seja, não foi apenas um desvio pontual em um setor específico, e sim um mês de resultado ruim no agregado.

Na composição setorial, o desempenho também foi concentrado em perdas. Em abril, os setores com saldo positivo foram:

- serviços: 69.601 vagas;

- construção: 23.525 vagas;

- indústria: 9.256 vagas.

Já comércio e agropecuária fecharam o mês negativos, com perda de 8.114 e 8.378 vagas, respectivamente. Na comparação com março, a queda foi de cerca de 152 mil vagas no saldo mensal, tendo comércio e serviços respondido por mais de 60% dessa piora. No recorte anual, Feijó citou retração de mais de 320% no agro e de 117,9% no comércio em relação a abril de 2025.

Sobre as causas, a economista destacou dois fatores centrais: juros ainda elevados e efeito inicial tardio da redução de juros iniciada pelo Banco Central em março. Ela também atribuiu parte da desaceleração ao aumento do endividamento das famílias e da inadimplência, que reduziria o consumo, fazendo empresas adiarem contratações e investimentos, inclusive em meio ao calendário eleitoral.

No monitoramento setorial, Feijó acrescentou que a agropecuária merece atenção extra com a hipótese de um “súper El Niño” afetar chuvas e safra. Em seu cenário, os efeitos no emprego do campo podem aparecer em três a quatro meses, no fim do ano, especialmente porque o setor já vinha com uma queda de mais de 320% no comparativo anual e já se encontra mais “enxuto” devido à modernização produtiva.

A fonte não traz dados adicionais de desdobramentos em maio e junho nem indicadores de emprego por região.

Fontes

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