Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina do Butantan contra dengue e orienta monitoramento por 21 dias
O Ministério da Saúde anunciou que a aplicação da vacina contra dengue do Instituto Butantan foi temporariamente suspensa no Brasil após 42 casos de reações consideradas mais severas. A pasta federal também orientou quem já tomou essa vacina a observar sintomas por 21 dias e procurar atendimento médico caso apareçam sinais de alerta.
Em coletiva em Brasília, o ministro Alexandre Padilha disse que as pessoas vacinadas devem ficar atentas a sintomas como febre, dores no corpo, vômitos e náuseas. A recomendação também inclui procurar atendimento em caso de dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos.
Segundo a fonte, houve duas mortes em investigação: uma mulher de 48 anos com sintomas de dengue grave e comprometimento neurológico após 19 dias da vacinação e um homem de 58 anos com febre alta cinco dias após tomar a dose. Além disso, houve um terceiro caso grave: uma mulher de 39 anos, com febre, dores musculares e náuseas, que chegou a ficar internada em UTI e teve alta depois.
Padilha informou que foram aplicadas cerca de 500 mil doses até agora. Mais de 400 mil foram para profissionais da atenção primária à saúde, em todo o país, e o restante foi para a estratégia ampliada em três municípios (Nova Lima, Maranguape e Botucatu), além da região de Araguaína, no Tocantins, para pessoas de 15 a 59 anos.
O Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan passaram a analisar detalhadamente os 42 relatos para identificar fatores de risco e ampliar o entendimento sobre os eventos adversos. Há também uma reunião com gestores estaduais para apresentar os detalhes da medida. O diretor do Butantan, Esper Kallás, afirmou que o objetivo é manter rigor científico e reunir evidências para avaliar a retomada com segurança; já o Departamento do Programa Nacional de Imunizações reforçou que a decisão não invalida a eficácia do imunizante.
A medida não atingiu a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, disponível no SUS e em clínicas privadas, que já soma cerca de 8 milhões de doses aplicadas, segundo o ministério.
Mesmo com a orientação de monitoramento, o texto da notícia destaca que a recomendação não significa que quem foi vacinado terá complicações. O alerta é para registrar qualquer sintoma e permitir análise rápida dos casos, além de manter a prevenção contra o mosquito Aedes aegypti como medida central contra a dengue no país.
