Seguro rural no Paraná concentra mais de 1/3 do país, mas produtores da região de Londrina relatam queda de interesse e riscos maiores
O Paraná respondeu por 31,6% das contratações de seguro rural no país em 2025, destaque de dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), conforme matéria publicada em 30 de maio de 2026. O destaque veio no contexto do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que registrou em 2025 3,2 milhões de hectares segurados e R$ 17,7 bilhões em valores segurados no Brasil.
No estado, a cobertura ficou em 1,2 milhão de hectares, com R$ 5,6 bilhões em valores segurados. Em nível nacional, o PSR atendeu cerca de 42 mil produtores; no Paraná, foram aproximadamente 16 mil. Ainda assim, o próprio órgão aponta que o volume de apólices caiu no estado de 82 mil, em 2021, para 26 mil, em 2025.
O Mapa também informou que o orçamento do PSR para 2025 foi reduzido em cerca de 40% por necessidade de ajuste fiscal. Segundo a pasta, esse cenário de restrição contribui para reclamações recorrentes de produtores sobre falta de subvenção. Outro fator recorrente é o custo mais alto das apólices. O Ministério atribui esse aumento às mudanças do mercado após safra 2021/2022, quando houve sinistralidade recorde e as seguradoras desembolsaram cerca de R$ 8 bilhões em indenizações. A partir daí, segundo a pasta, foram feitos ajustes nas coberturas e atualização de taxas de prêmio para alguns cultivos e regiões.
Na região de Londrina, o caso de Eduardo Martins, do município de Alvorada do Sul, ilustra a pressão sobre as decisões de contratação. Ele relata que, na safra de soja 2025/26, acionou o seguro após perder produtividade com granizo e depois enfrentou novo prejuízo no replantio devido ao calor e à falta de chuva em fevereiro. Martins diz ter sido indenizado apenas pela diferença entre 88 e 90 sacas por alqueire, e afirma que, somando insumos, mão de obra e outros custos, sua conta superaria 100 sacas por alqueire. Para a safra de milho safrinha, ele não contratou o seguro. A justificativa: preços elevados cobrados pelas seguradoras e falta de subvenção. “Sem o seguro, fica mais difícil investir porque não há segurança de uma renda mínima para cumprir compromissos”, avalia.
