O preço do açúcar no Brasil deve continuar estável nos próximos meses, sem grandes oscilações para cima ou para baixo. A avaliação é de analistas do setor, que observam sinais ainda fracos de demanda global e uma oferta crescente devido à colheita em andamento no Centro-Sul do país. O cenário foi detalhado em análise publicada neste sábado (14), destacando os principais fatores que influenciam o mercado da commodity e suas consequências para produtores e consumidores.
Oferta do Centro-Sul pressiona estabilidade dos preços do açúcar no mercado brasileiro
A safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil está em pleno andamento, o que contribui para o aumento da oferta no mercado interno e internacional. Segundo a Czarnikow, uma das principais tradings do setor, as usinas brasileiras estão priorizando a produção de etanol para tentar mitigar os efeitos dos preços baixos do açúcar. Essa estratégia levou a uma revisão na estimativa de produção nacional de açúcar para o ciclo 2025/26, agora projetada em 39,5 milhões de toneladas, com um mix de produção de 47% destinado ao açúcar, contra 48% anteriormente. Isso representa uma redução de 500 mil toneladas na oferta da commodity.
Além do Brasil, a Czarnikow também revisou para baixo sua estimativa para a produção de açúcar no México, enquanto prevê estabilidade em outros grandes produtores, como Índia, Tailândia e China. Apesar dessas revisões, a expectativa é de que o balanço global entre oferta e demanda não sofra mudanças significativas no curto prazo.
Consumo global lento e fatores climáticos influenciam cenário
O consumo global de açúcar segue em ritmo lento, de acordo com análise assinada pelo especialista Gerard Honer. Entre os motivos estão a maior conscientização sobre os impactos do consumo excessivo do produto, a inflação dos alimentos e o avanço de medicamentos para emagrecimento, que inibem o apetite. Esses fatores levaram a Czarnikow a reduzir sua estimativa de consumo global em 300 mil toneladas, embora o volume total ainda represente um aumento de 1,1 milhão de toneladas em relação à safra anterior.
No campo climático, a confirmação do fenômeno El Niño pela agência americana NOAA traz preocupações, mas o impacto sobre a colheita do Centro-Sul brasileiro deve ser limitado. Segundo a NOAA, o evento climático tende a se intensificar apenas a partir de novembro, período em que a colheita na região já estará encerrada. O El Niño pode afetar mais significativamente a produção na Índia, mas como o país está em entressafra, eventuais reflexos só devem ser sentidos a partir de outubro.
Estoques elevados e alternativas para as usinas brasileiras
A demanda global enfraquecida também se reflete nos dados de exportação do Brasil. Entre abril e maio, o aumento dos estoques locais de açúcar chegou a 23,8%, conforme relatório do analista Ricardo Sigalla, da StoneX. Esse acúmulo de produto reforça a necessidade das usinas de buscar alternativas, como a produção de etanol, para evitar prejuízos diante do cenário de preços estáveis e margens reduzidas.
Apesar do ambiente mais apertado entre oferta e demanda, a Czarnikow avalia que o mercado segue estável, sem perspectiva de mudanças bruscas no curto prazo. Para produtores, a orientação é acompanhar de perto os movimentos do mercado internacional e as condições climáticas, que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.
O que esperar do mercado de açúcar no Brasil
Para os próximos meses, a tendência é de manutenção dos preços do açúcar nos patamares atuais, sem grandes variações. O cenário de estabilidade deve permanecer enquanto não houver mudanças relevantes na demanda global ou impactos climáticos mais severos sobre as principais regiões produtoras. Consumidores e produtores devem ficar atentos a possíveis alterações nas políticas de exportação, no comportamento dos mercados asiáticos e nos desdobramentos do El Niño, que podem influenciar o setor a partir do final do ano.
