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Vendas da nova safra de café no Brasil seguem atrasadas em junho

Safra 2026/27 de café no Brasil registra apenas 19% da produção vendida até junho, ficando abaixo da média histórica e de 2025, segundo Safras & Mercado.

Colheita de café no Brasil com sacas em pátio e trabalhadores sob céu limpo
Colheita de café no Brasil com sacas em pátio e trabalhadores sob céu limpo

As vendas da safra 2026/27 de café no Brasil seguem em ritmo mais lento que o histórico, com apenas 19% da produção prevista comercializada até 11 de junho. O número, divulgado nesta terça-feira pela consultoria Safras & Mercado, chama atenção por estar atrás tanto do desempenho do ano passado quanto da média dos últimos cinco anos.

Comercialização do café novo tem avanço tímido em relação ao histórico

Segundo a Safras & Mercado, o avanço das vendas da safra 2026/27 foi de apenas 3 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Ainda assim, a comercialização permanece inferior ao ritmo do mesmo período em 2025, quando 22% da safra já estava negociada. O atraso é ainda mais significativo quando comparado à média histórica, que é de 29%.

O analista Gil Barabach explica que os produtores brasileiros estão dando prioridade à negociação do café do ciclo anterior, devido à menor disponibilidade de grãos do novo ciclo. “A colheita segue lenta e a disponibilidade de café novo ainda é pequena, o que ajuda a explicar o ritmo mais fraco dos negócios”, afirmou Barabach em nota divulgada pela consultoria.

No segmento de grãos canéforas (conilon/robusta), a tendência se repete. Até o início de junho, apenas 14% da safra havia sido comercializada, número inferior ao registrado um ano antes (18%) e à média para o período nos últimos cinco anos (25%), reforçando a percepção de um mercado contido.

Vendas de café arábica e velho destacam movimento cauteloso do produtor

No caso do café arábica, as vendas caminharam lentamente em relação ao mês anterior e totalizam somente 21% da safra nova. O volume está abaixo dos 24% registrados em junho do ano passado e, principalmente, da média de cinco anos, que é de 31%. A consultoria destaca ainda que o fluxo de vendas do arábica se mantém cadenciado, principalmente pela menor oferta de produto, reflexo da quebra de safra ocorrida no ciclo passado.

Já para a safra velha (2025/26), as vendas mostram ritmo mais dinâmico: 91% da produção prevista já foi comercializada até o início de junho. Isso evidencia que o foco dos produtores tem sido o café ainda em estoque, aproveitando as oportunidades de mercado para o produto do ciclo anterior.

Produtores priorizam negócios do café disponível e colheita ajuda a explicar ritmo mais lento

O cenário descrito pela Safras & Mercado sugere cautela por parte dos produtores. O atraso na comercialização da nova safra tem relação direta com a lentidão da colheita e a limitada disponibilidade de café novo. Ainda segundo o analista da consultoria, a oferta reduzida contribui para a preferência pela venda de lotes antigos, postergando decisões sobre a safra em andamento.

O relatório não detalha fatores externos, como questões logísticas, clima ou políticas de incentivo, sobre o impacto na dinâmica de comercialização do café em 2026. Também não há informações sobre possíveis mudanças de preços nem perspectivas para os próximos meses.

Mercado aguarda cenário mais favorável para acelerar vendas da safra nova

Apesar do desempenho aquém do esperado até o momento, o setor cafeeiro nacional segue atento à evolução da colheita e ao comportamento de oferta e demanda. O aumento na comercialização da nova safra dependerá sobretudo do ritmo de entrada dos grãos no mercado interno e externo nas próximas semanas.

Para produtores, exportadores e demais agentes da cadeia, o acompanhamento das atualizações de mercado segue fundamental, especialmente em períodos de transição entre safras e diante de possíveis impactos em preços e estoques.

Não há projeções detalhadas divulgadas pela Safras & Mercado sobre as vendas futuras da safra 2026/27 ou potenciais mudanças no comportamento de comercialização ao longo do ano.

Fontes

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